27/06/2026
O VINHO NOVO
13ª Semana. Sábado
I. Preparar a alma para receber o dom divino da graça; os odres novos.
Jesus ensinava, e aqueles que o ouviam compreendiam-no bem. Todos os que ouviram pela primeira vez as palavras contidas no Evangelho da Missa sabiam o que eram remendos nas roupas, e todos também, acostumados aos trabalhos do campo, sabiam o que acontece quando se coloca o vinho novo, extraído da uva recém-colhida, em odres velhos. Com essas imagens simples e bem conhecidas, o Senhor ensinava as verdades mais profundas sobre o Reino que Ele veio trazer às almas: ninguém coloca um remendo de tecido sem molhar um manto velho; pois o remendo puxa o manto e deixa um rasgo ainda pior. Tampouco se coloca vinho novo em odres velhos; pois os odres se rompem: o vinho se derrama e os odres se estragam; o vinho novo se coloca em odres novos, e assim ambas as coisas se conservam [1]. Jesus declara a necessidade de acolher sua doutrina com um espírito novo, jovem, com desejo de renovação; pois, da mesma forma que a força da fermentação do vinho novo faz estourar os recipientes já envelhecidos, assim também a mensagem que Cristo traz à terra tinha que romper com todo conformismo, rotina e estagnação. Os apóstolos se lembrariam daqueles dias ao lado de Jesus como o início de sua verdadeira vida. Eles não receberam sua pregação como mais uma interpretação da Lei, mas como uma vida nova que surgia neles com ímpeto extraordinário e exigia novas disposições. Sempre que os homens se encontraram com Jesus ao longo desses vinte séculos, algo surgiu neles, rompendo com atitudes antigas e desgastadas. Já o profeta Ezequiel havia anunciado [2] que Deus concederia aos seus um novo coração e lhes daria um novo espírito. São Beda, ao comentar essa passagem do Evangelho, explica [3] como os apóstolos serão transformados no Pentecostes e, ao mesmo tempo, cheios do fervor do Espírito Santo. Isso ocorrerá posteriormente na Igreja com cada um de seus membros, uma vez recebidos o Batismo e a Confirmação. Esses novos odres, a alma limpa e purificada, devem estar sempre cheios; “pois, quando vazios, são corroídos pela traça e pela ferrugem; a graça os mantém cheios” [4]. O vinho novo da graça requer disposições na alma constantemente renovadas: empenho em recomeçar repetidamente o caminho da santidade, que é sinal de juventude interior, daquela juventude que têm os santos, as pessoas apaixonadas por Deus. Preparamos a alma para receber o dom divino da graça quando correspondemos aos movimentos e sugestões do Espírito Santo, pois eles nos preparam para receber outros novos e, se não fomos totalmente fiéis, quando recorremos ao Senhor pedindo-Lhe que cure nossa alma. “Tira, Senhor Jesus — pedimos com São Ambrósio —, a podridão dos meus pecados. Enquanto me manténs preso com os laços do amor, cura o que está doente (…). Encontrei um médico, que vive no Céu e derrama seu remédio sobre a terra. Somente Ele pode curar minhas feridas, pois não tem nenhuma; somente Ele pode tirar do coração sua dor, da alma sua palidez, pois Ele conhece os segredos mais recônditos” [5]. Somente o teu amor, Senhor, pode preparar minha alma para receber mais amor.
II. A contrição restaura e prepara para receber novas graças.
O Espírito Santo traz constantemente à alma um vinho novo, a graça santificante, que deve crescer cada vez mais. Esse “vinho novo não envelhece, mas os odres podem envelhecer. Uma vez rompidos, são jogados no lixo e o vinho se perde” [6]. Por isso, é necessário restaurar continuamente a alma, rejuvenescê-la, pois são muitas as falhas de amor — talvez pecados veniais — que a tornam incapaz de receber mais graças e a envelhecem. Nesta vida, sempre sentiremos as feridas do pecado: defeitos de caráter que não conseguimos superar, chamados da graça aos quais não sabemos responder com generosidade, impaciências, rotina na vida de piedade, falta de compreensão… É a contrição que nos dispõe para novas graças, aumenta a esperança, evita a rotina, faz com que o cristão se esqueça de si mesmo e se aproxime novamente de Deus em um ato de amor mais profundo. A contrição traz consigo a aversão ao pecado e a conversão a Cristo. Essa dor no coração não se identifica com o estado em que a alma pode se encontrar devido aos efeitos desagradáveis da falta (a ruptura da paz familiar, a perda de uma amizade…); nem mesmo consiste no desejo de não ter feito o que foi feito…: é a condenação decidida de uma ação, a conversão para o bem, para a santidade de Deus manifestada em Cristo; é “a irrupção de uma vida nova na alma” [7], cheia de amor ao reencontrar-se com o Senhor. Por isso, quem não relaciona seus pecados — as grandes e as pequenas faltas — com o Senhor não sabe se arrepender, não se sente movido à contrição. Diante de Jesus, todas as ações adquirem sua verdadeira dimensão; se ficássemos sozinhos diante de nossas falhas, sem essa referência à Pessoa ofendida, provavelmente justificaríamos e minimizaríamos as falhas e os pecados, ou então nos encheríamos de desânimo e desesperança diante de tantos erros e omissões. O Senhor nos ensina a conhecer a verdade de nossa vida e, apesar de tantos defeitos e misérias, nos enche de paz e do desejo de sermos melhores, de recomeçar de novo. A alma humilde sente a necessidade de pedir perdão a Deus muitas vezes ao dia. Cada vez que se afasta do que o Senhor esperava dela, ela percebe a necessidade de voltar como o filho pródigo, com verdadeira dor: pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus diaristas [8]. E o Senhor, “que está próximo daqueles que têm o coração contrito” [9], ouvirá nossa oração. Com essa contrição, a alma se prepara continuamente para receber o vinho novo da graça.
III. A Confissão sacramental, meio para crescer na vida interior.
O Senhor, sabendo que éramos frágeis, nos deixou o sacramento da Penitência, no qual a alma não apenas sai restaurada, mas, se havia perdido a graça, renasce com uma vida nova. Devemos recorrer a este sacramento com total sinceridade, humildade e contrição, com o desejo de reparar nossos erros. Uma confissão bem feita pressupõe um exame de consciência profundo (profundo não significa necessariamente longo, sobretudo se nos confessamos com frequência): se possível, diante do Sagrário, e sempre na presença de Deus. No exame de consciência, o cristão vê o que Deus esperava de sua vida e o que ela realmente tem sido; a bondade ou a maldade de suas ações, as omissões, as oportunidades perdidas…, a intensidade da falta cometida, o tempo em que permaneceu nela antes de pedir perdão [10]. O cristão que deseja ter uma consciência sensível e, para isso, se confessa com frequência, “não se contentará com uma confissão simplesmente válida, mas aspirará a uma boa confissão que ajude a alma de forma eficaz em sua aspiração para Deus. Para que a confissão frequente alcance esse objetivo, é necessário levar muito a sério este princípio: sem arrependimento não há perdão dos pecados. Daí surge esta norma fundamental para quem se confessa com frequência: não confessar nenhum pecado venial do qual não se tenha arrependido séria e sinceramente. “Existe um arrependimento geral. É a dor e a repulsa pelos pecados cometidos ao longo de toda a vida passada. Esse arrependimento geral reveste-se de importância excepcional para a confissão frequente” [11], pois ajuda a sarar as feridas deixadas pelas fraquezas, purifica a alma e a faz crescer no amor ao Senhor. A sinceridade nos levará, sempre que necessário, a entrar nesses pequenos detalhes que revelam melhor nossa fraqueza: como?, quando?, por que motivo?, por quanto tempo?; evitando tanto os detalhes irrelevantes e prolixos quanto as generalizações, dizendo com simplicidade e delicadeza o que aconteceu, o verdadeiro estado da alma, evitando divagações, como “não fui humilde”, “tive preguiça”, “falhei na caridade”… coisas que, aliás, se aplicam quase sempre à maioria dos mortais. Ao praticarmos a Confissão frequente, devemos sempre zelar para que seja um ato pessoal no qual pedimos perdão ao Senhor por fraquezas muito concretas e reais, e não por generalidades vagas. Este sacramento da misericórdia é um refúgio seguro; ali as feridas são curadas, o que já estava desgastado e envelhecido é rejuvenescido, e todos os desvios, grandes e pequenos, são corrigidos. Pois a Confissão não é apenas um julgamento no qual as dívidas são perdoadas, mas também um remédio para a alma. A Confissão impessoal esconde, com frequência, um traço de soberbia e de amor-próprio que tenta mascarar ou justificar o que humilha e nos deixa, humanamente falando, em má posição. Talvez nos ajude, para tornar mais pessoal esse ato de penitência, cuidar até mesmo da maneira como nos confessamos: “eu me acuso de…”, pois este sacramento não é um relato de coisas que aconteceram, mas uma autoacusação humilde e simples de nossos erros e fraquezas diante do próprio Deus, que nos perdoará por meio do sacerdote e nos inundará com sua graça. “Deus seja bendito!”, você dizia depois de terminar sua Confissão sacramental. E pensava: é como se eu tivesse renascido. ”Em seguida, você prosseguia com serenidade: “Domine, quid me vis facere?” —Senhor, o que queres que eu faça? »—E você mesmo se deu a resposta: com a sua graça, acima de tudo e de todos, cumprirei a sua Santíssima Vontade: “serviam!” —Servirei a você sem condições!» [12] . Servirei a Ti, Senhor, como sempre quiseste que eu fizesse: com simplicidade, no meio da minha vida cotidiana, no cotidiano de todos os dias.
Referências citadas
- 1. Mt 9, 16-17.
- 2. Ez 36, 26.
- 3. São Beda, Comentário ao Evangelho de São Marcos, 2, 21-22.
- 4. Santo Ambrósio, Tratado sobre o Evangelho de São Lucas, 5, 26.
- 5. Ibid., 5, 27.
- 6. G. Chevrot, O Evangelho ao ar livre, Herder, Barcelona 1961, p. 111.
- 7. Cf. M. Schmaus, Teologia dogmática, Rialp, 2ª ed., Madri 1963, vol. VI, p. 562.
- 8. Lc 15, 18-19.
- 9. Santo Agostinho, Comentário ao Evangelho de São João, 15, 25.
- 10. Cf. São Francisco de Sales, Introdução à Vida Devota, II, 19.
- 11. B. Baur, A confissão frequente, Herder, Barcelona 1957, pp. 37-38.
- 12. São Josemaría Escrivá, Forja, n. 238.